Mercado Novo em BH vira destaque global
Revista Condé Nast Traveler inclui Minas Gerais como um dos melhores destinos gastronômicos do mundo em 2026, com o Mercado Novo como ícone da inovação e tradição.

O Mercado Novo em Belo Horizonte foi eleito um dos melhores destinos gastronômicos do mundo para 2026 pela revista internacional Condé Nast Traveler, consolidando Minas Gerais como polo global da culinária contemporânea. O espaço histórico, construído em 1960, passou por uma transformação profunda que uniu tradição popular, cultura local e inovação empreendedora, tornando-se um modelo de revitalização urbana com impacto econômico, cultural e turístico.
Em números
- 90%
- ocupação atual das lojas no Mercado Novo
- 15 mil
- máximo de visitantes nos finais de semana
- 550 mil
- pessoas que visitaram o Mercado durante a Copa de 2026
- 2018
- ano de grande transformação do espaço
- 128 anos
- idade de Belo Horizonte em 2026
O que mudou no Mercado Novo
Localizado no centro de Belo Horizonte, o Mercado Novo foi construído em 1960 como substituto do Mercado Central, com a intenção de se tornar o maior centro comercial da América Latina. No entanto, a ideia falhou: os feirantes se organizaram em associação e compraram o terreno, transformando o antigo Mercado Municipal no Mercado Central. A construtora responsável pela obra entrou em falência, e o prédio ficou abandonado por décadas, tornando-se um “elefante branco” no centro da cidade segundo a jornalista Luana de Abreu. O térreo foi ocupado por feira livre e pequenos comerciantes, enquanto os andares superiores permaneceram fechados até os anos 2010, com apenas 50% de ocupação.
A virada começou em 2010 com o projeto Mercado das Borboletas, um movimento cultural que trouxe exposições, shows e performances. Mas foi a partir de 2018 que o espaço ganhou nova identidade. Um grupo de investidores, liderado pelo empresário Rafael Quick, da cervejaria Viela, uniu tradição e inovação. A arquitetura foi reformulada com inspiração nos anos 1960: tijolos cobogós para ventilação natural, escadarias valorizando o grafite — obra da artista Raquel Bolinho — e um novo conceito de convivência entre arte, gastronomia e empreendedorismo.
Tradição e inovação em cada canto
Hoje, o Mercado Novo é um polo de economia criativa onde se encontram desde a tradicional feira de hortifruti até cafeterias de café especial, cervejarias artesanais, docerias com receitas de vó e coquetelarias autoriais. O espaço atrai um público jovem em busca de experiências gastronômicas, música e cultura, sem perder a essência popular que marcou sua história.
- Passel de angu no Pastel do Moinho, com massa de fubá e recheios como goiabada com queijo minas
- Frango com quiabo no Fogão Vermelho, preparado em fogão a lenha com ingredientes regionais
- Quitute mineiro com recheios inusitados, como doce de leite com queijo minas e ketchup de goiabada
- Charcutaria tradicional com leitoa assada e torresmo de rolo
- Comidas de vó em docerias com compotas feitas com afeto e ingredientes locais
Segundo o curador e síndico do Mercado Novo, Luiz Felipe de Castro, o local se tornou um espaço onde diferentes expressões da cultura mineira coexistem de forma orgânica. “O que vemos hoje aqui é uma produção autoral que nasce do território, respeita as raízes de Minas e projeta Belo Horizonte para uma conversa contemporânea sobre comida e cidade”, afirma.
Um espaço que conta a história da cidade
Para a historiadora Lays Silva de Souza, os mercados de Belo Horizonte são testemunhas vivas da evolução da cidade. O Mercado Novo é um exemplo disso: começou como um “elefante branco”, foi ocupado por gráficas e artesãos, e hoje é um espaço que reúne ofícios, arte e empreendedorismo. A diversidade do local é seu maior atrativo. “É um retrato de BH, é um lugar que bato no peito com orgulho para dizer que é nosso”, diz a jornalista Luana de Abreu.
Além de atrair turistas, o Mercado Novo fortalece a economia local. Segundo o superintendente Antônio Gabriel Filho, o espaço hoje tem 90% de ocupação — um salto de 50% nos anos 2010 — e atrai até 15 mil pessoas nos finais de semana. Durante a Copa de 2026, o local recebeu 550 mil visitantes, demonstrando seu potencial como polo turístico e econômico.
O que isso muda para quem empreende, cria ou trabalha
Para empreendedores, o Mercado Novo mostra que revitalização urbana não precisa sacrificar a identidade. A combinação de tradição e inovação atrai turistas, gera renda e fortalece a economia local. O modelo de gestão com foco em economia criativa, ofícios artesanais e sustentabilidade pode ser replicado em outros espaços abandonados.
Para criadores, é um modelo de como espaços abandonados podem se tornar centros de cultura e inovação com apoio de investidores e gestão consciente. A presença de artistas, arquitetos e empreendedores locais demonstra que o valor está no território, não apenas no capital.
Para quem trabalha, o local oferece oportunidades em setores criativos, gastronômicos e de serviços, com um ambiente que valoriza o trabalho artesanal e a autonomia. A transformação do Mercado Novo é um exemplo de que o futuro pode nascer do passado — com planejamento, empatia e visão de longo prazo.
Para gestores e investidores, o caso mostra que espaços históricos podem ser requalificados sem perder sua alma. O sucesso do Mercado Novo não se deve apenas à arquitetura, mas à gestão que prioriza a comunidade, a cultura local e a sustentabilidade.
O que observar nos próximos meses
O Mercado Novo está em pleno crescimento. Nos próximos meses, é esperado um aumento no número de visitantes internacionais, especialmente após a publicação da lista da Condé Nast Traveler. A administração do espaço também deve investir em melhorias no primeiro andar, que ainda é pouco valorizado, segundo a proprietária Márcia Alves, de Márcia Condimentos.
Empreendedores devem acompanhar como o modelo será replicado em outros bairros de Belo Horizonte e no interior de Minas. A experiência do Mercado Novo pode inspirar novos centros de economia criativa, especialmente em áreas com infraestrutura abandonada. O que começou como uma ideia de revitalização pode se tornar um movimento urbano mais amplo.
Se você é empreendedor, criador ou gestor, olhe para o que está abandonado perto de você. Pode ser o próximo Mercado Novo.
Sources
Núcleo de apuração do Pulso. Acompanha o noticiário de negócios e tecnologia e reescreve os fatos com as fontes citadas e linkadas.