Mais Card é confiável? Veja riscos e reclamações
Empresa nova com CNPJ ativo, mas usuários relatam problemas no app e dificuldades para resgatar R$ 25. Entenda os riscos.

Em números
- R$ 25
- valor solicitado como recarga inicial para ativação da conta
- 35 dias
- prazo máximo informado para entrega do cartão físico
- 9,8
- nota de reputação no Reclame Aqui, com base em período anterior ao lançamento
O Mais Card é uma empresa com CNPJ válido e ativo, mas ainda não tem histórico suficiente para ser considerado um serviço comprovadamente confiável. Lançada em outubro de 2026, a fintech oferece cartão Mastercard sem anuidade e análise de crédito sem consulta a SPC ou Serasa. No entanto, consumidores relatam instabilidades no aplicativo, dificuldades para usar o cartão virtual e problemas para resgatar os R$ 25 depositados na ativação do serviço — valor que fica reservado sem prazo claro para liberação.
Quem está por trás do Mais Card?
Segundo informações oficiais, o Mais Card é operado pela MAIS UP Instituição de Pagamento Ltda., CNPJ 69.105.317/0001-99, empresa aberta em setembro de 2026 e sediada em Goiânia (GO). O site também menciona outro CNPJ: MAIS UP Ltda., CNPJ 54.252.269/0001-94, uma empresa de tecnologia fundada em 2024 no mesmo endereço. A existência de dois registros não é irregular, mas exige atenção na hora de identificar quem assina o contrato e recebe Pix.
Apesar de buscas frequentes por “banco Mais Card”, a empresa não é um banco, mas uma instituição de pagamento. Para verificar sua regularidade, é preciso consultar o Encontre uma Instituição, do Banco Central, pelo nome e CNPJ. Ainda não há registro público de autorização bancária. Isso significa que, embora legalmente constituída, a operação ainda está em fase inicial e sujeita a riscos operacionais.
Por que o Mais Card pede R$ 25?
Após a aprovação cadastral, o aplicativo solicita uma recarga inicial de R$ 25. A empresa afirma que o valor não é taxa de anuidade nem de emissão, mas sim um depósito que fica “reservado” na Carteira+ do app. Segundo respostas a clientes, esse saldo só se torna disponível após o primeiro uso do cartão ou de um serviço elegível, como o MAIS Parcelado.
O problema prático é que o cartão físico pode demorar até 35 dias para chegar, e o cartão virtual ainda não estava liberado em 30 de outubro, conforme reconhecimento da própria empresa. Isso significa que o usuário pode ficar semanas sem conseguir usar o cartão ou resgatar o dinheiro — um modelo que, embora não ilegal, gera desconfiança entre novos clientes.
Reclamações e reputação no Reclame Aqui
O perfil da MAIS Card no Reclame Aqui exibe reputação “Ótima”, com nota 9,8 de 10, 100% de reclamações respondidas e resolvidas. No entanto, esses dados são referentes ao período entre 1º de abril e 30 de setembro de 2026 — antes do lançamento do serviço. Desde 22 de outubro, quando os cadastros foram abertos, há relatos de problemas recentes.
Reclamações publicadas em outubro de 2026 descrevem: R$ 25 bloqueados, Pix indisponível, dificuldade de acesso ao app e pedidos de reembolso negados ou demorados. Em 30 de outubro, a empresa reconheceu falhas no aplicativo nos dias 28 e 29 e informou que ajustes estavam em curso. Uma reclamação do mesmo dia foi encerrada pelo consumidor como “não resolvida”, segundo Game Overdrive.
O que isso muda para a sua empresa
- Avalie com cuidado parcerias com fintechs novas: mesmo com CNPJ e app oficial, a estabilidade operacional e a reputação real só se confirmam com o tempo. Evite integrar serviços de empresas com menos de seis meses de mercado sem testes rigorosos.
- Desconfie de modelos que antecipam receitas com depósitos obrigatórios: exigir R$ 25 para ativação pode ser uma estratégia de fluxo de caixa, mas também aumenta o risco de insatisfação e chargebacks. Analise se o custo-benefício compensa para seus clientes.
- Monitore reclamações em tempo real: plataformas como Reclame Aqui podem mostrar métricas positivas, mas sempre verifique o período de análise. Dados anteriores ao lançamento não refletem a experiência atual.
- Verifique a transparência dos contratos: dois CNPJs no mesmo grupo exigem clareza sobre quem responde legalmente. Isso impacta decisões de cobrança, estorno e responsabilidade contratual.
- Proteja seus dados e os de seus clientes: mesmo com HTTPS e SSL, como apontado pelo Site Confiável, a segurança digital não elimina riscos de liquidez ou operação. Priorize parceiros com histórico comprovado.
O que observar nos próximos meses
O Mais Card está em fase crítica de consolidação. Nos próximos meses, o que definirá sua confiabilidade será a resolução efetiva das reclamações, a estabilidade do aplicativo e a clareza sobre os prazos de liberação do saldo e do cartão. A empresa precisa provar que não é um golpe — algo que vai além de CNPJ e selos de segurança.
O que fazer agora: quem já pagou deve acompanhar o atendimento e registrar reclamações no Reclame Aqui. Quem ainda não entrou deve aguardar mais tempo de mercado, avaliações independentes e maior clareza sobre os prazos de liberação do cartão e do saldo. A existência de CNPJ e app oficial não elimina riscos operacionais e de liquidez para o consumidor.
Para empreendedores, a lição é clara: inovação é bem-vinda, mas a confiabilidade se constrói com tempo, transparência e resolução ágil de problemas. Enquanto o Mais Card não demonstrar isso, o cuidado deve prevalecer.
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