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Aggreko compra 6 termelétricas no Amazonas

Aggreko conclui aquisição de seis termelétricas no Amazonas, ampliando para 32 o número de usinas e 149,1 MW de capacidade instalada.

A Aggreko concluiu a aquisição de seis usinas termelétricas no Amazonas, pertencentes à Brasil BioFuels (BBF), segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico e confirmadas por DatacenterDynamics. A operação, que encerrou um processo iniciado no primeiro semestre de 2026, adiciona 11,4 megawatts (MW) de capacidade instalada ao portfólio da empresa, elevando o total para 149,1 MW distribuídos em 32 usinas nos sistemas isolados do Estado.

Em números

149,1 MW
capacidade instalada total da Aggreko no Amazonas após a aquisição
32 usinas
número de unidades em operação na região
11,4 MW
capacidade adquirida com as seis termelétricas
100%
participação da Aggreko no Consórcio Geração Amazonas (CGA)
19/10/2026
data da conclusão da transação

Expansão estratégica em sistemas isolados

As usinas adquiridas estão localizadas em Belém dos Solimões, Estirão do Equador, Palmeiras do Javari, Feijoal, Envira e Ipixuna — municípios distantes e sem conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Essas regiões dependem exclusivamente de geração própria para o fornecimento de energia elétrica, o que torna a operação logística complexa, com dependência de rotas fluviais para transporte de combustíveis e equipes técnicas.

Com a aquisição, a Aggreko passa a deter 100% do Consórcio Geração Amazonas (CGA), que foi vencedor do Leilão de Sistemas Isolados nº 02/2016 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Antes da transação, a empresa já operava 26 usinas no Estado, com 99% de participação no consórcio. A BBF e a Amazonbio detinham a fatia residual de 1%, correspondente às seis termelétricas agora transferidas. A venda integra as medidas de desinvestimento previstas no processo de recuperação judicial da BBF.

Transformação energética e inovação tecnológica

Segundo Marco Contin, diretor-geral da Aggreko no Brasil, a expansão reforça o compromisso da empresa com a confiabilidade energética em regiões estratégicas. "Ao reunir 32 usinas, ampliamos nossa capacidade de aplicar tecnologia, conhecimento operacional e novas soluções energéticas na Amazônia", afirmou.

Espaço publicitário

Para otimizar a operação, a empresa utiliza a plataforma digital CORE, que monitora em tempo real o desempenho mecânico dos geradores e o consumo de combustíveis. Isso reduz a necessidade de vistorias presenciais, otimizando a rotina de cerca de 250 colaboradores baseados em Manaus. A gestão centralizada permite maior agilidade na resposta a falhas e melhor planejamento de manutenções preventivas, essencial em áreas com acesso difícil.

Transição para energia sustentável

Apesar da dependência atual de combustíveis fósseis como óleo diesel, a Aggreko já está avaliando projetos de hibridização, combinando geração térmica com fontes renováveis — especialmente energia solar — e sistemas de armazenamento por baterias. O objetivo é reduzir o consumo de combustível e tornar a matriz energética mais eficiente e sustentável.

Um dos projetos mais ambiciosos já anunciados é uma parceria com a Huawei para instalar microrredes solares com armazenamento em 24 localidades do Amazonas, com investimento estimado em R$ 850 milhões. O projeto, considerado o maior de armazenamento de energia já planejado no Brasil, busca mitigar a variabilidade da geração solar em uma região marcada por chuvas frequentes e alta nebulosidade.

"Mesmo com a expansão da geração renovável, as termelétricas continuarão operando como respaldo para garantir a segurança energética", destacou a empresa. A transição não elimina a necessidade de geração térmica, mas a moderniza e integra com soluções limpas. A estratégia de hibridização já está em curso em algumas comunidades, com testes de sistemas solares acoplados a baterias em áreas remotas.

O que isso muda para a sua empresa

  • Empreendedores e startups: A melhoria na infraestrutura energética em regiões isoladas abre espaço para novos modelos de negócio digitais, como data centers temporários, soluções IoT para agricultura de precisão e plataformas de educação à distância em comunidades remotas. A confiabilidade energética é um pré-requisito para a escalabilidade desses projetos.
  • Profissionais da energia e da tecnologia: A digitalização e a transição energética geram demanda por novos perfis: engenheiros de microrredes, especialistas em armazenamento de energia (BESS), técnicos em operação híbrida e analistas de dados energéticos. O mercado está em busca de talentos que entendam a complexidade de sistemas isolados com tecnologia avançada.
  • Empresas de tecnologia e infraestrutura: A expansão da Aggreko indica que o setor de energia descentralizada está se tornando mais atraente para investimentos. Isso pode impulsionar parcerias entre empresas de energia, tecnologia e logística para desenvolver soluções integradas em áreas de difícil acesso.
  • Empreendedores sociais e de impacto: O acesso a energia estável permite inovações em saúde, educação e agricultura sustentável em comunidades isoladas. Projetos que usam energia limpa para refrigerar vacinas, ligar equipamentos médicos ou alimentar sistemas de irrigação podem se tornar viáveis com a nova matriz energética.
  • Investidores e gestores de carteira: A aquisição mostra que o setor de energia em sistemas isolados está se consolidando como um segmento estratégico com potencial de retorno. A combinação de operação estável, inovação tecnológica e foco em sustentabilidade atrai capital de longo prazo.

O que observar nos próximos meses

Os próximos três a seis meses serão decisivos para acompanhar a implementação do projeto híbrido com a Huawei. A empresa deve anunciar o cronograma de instalação das primeiras microrredes solares com baterias. Além disso, será importante monitorar se a Aggreko divulgará metas de redução de consumo de combustível ou metas de penetração de energia renovável nos próximos relatórios de sustentabilidade.

Outro ponto a observar é a possível entrada de novos players no mercado de energia descentralizada no Amazonas. Com a consolidação da Aggreko como líder em sistemas isolados, outras empresas podem buscar parcerias ou investimentos para se posicionar no segmento. A transição energética nessa região pode servir como modelo para outras áreas remotas do país, como o Nordeste e o Norte de Minas Gerais.

A aquisição da Aggreko não é apenas uma movimentação de mercado — é um passo estratégico na construção de uma matriz energética mais resiliente, digital e sustentável no coração da Amazônia. Para quem atua em tecnologia, energia ou empreendedorismo, o futuro da infraestrutura elétrica no Brasil está cada vez mais conectado à inovação em regiões de difícil acesso.

Fontes:

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