Quarta-feira, 7 de outubro de 2026Especial Futurecom 2026 · 6 de outubro · São Paulo Expo
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Maximize Summit reúne 2 mil e discute quem vai fornecer ao novo MS

Segunda edição do evento em Campo Grande levou Sebrae/MS, Senar, Senac e MPT ao mesmo palco. O recado ao pequeno negócio: se estruturar agora para vender aos grandes projetos do Estado.

A segunda edição do Maximize Summit ocupou o Bosque Expo, em Campo Grande, nos dias 24 e 25 de setembro, e colocou uma pergunta incômoda na mesa dos empresários sul-mato-grossenses: a sua empresa está pronta para vender para os grandes projetos que estão chegando ao Estado? O ponto alto para quem tem um pequeno negócio foi o painel “Tendências e Oportunidades da Indústria e Comércio de MS”, que reuniu Sebrae, Senar, Senac e Ministério Público do Trabalho, segundo a Agência Sebrae de Notícias em Mato Grosso do Sul.

Em números

2 mil
público previsto de empresários, executivos e gestores
20 horas
de programação ao longo de dois dias
7h30 às 19h
horário de funcionamento do evento no Bosque Expo
R$ 0
entrada geral gratuita, mediante inscrição

Promovido pelo Êxito – Instituto de Empreendedorismo, o encontro chegou à capital sul-mato-grossense pela segunda vez com o conceito “Expanda seus limites”. De acordo com a RCN67, a expectativa era reunir cerca de 2 mil empresários, executivos, gestores e lideranças institucionais, com entrada gratuita mediante inscrição e aproximadamente 20 horas de conteúdo entre palestras, mesas-redondas e espaços de networking. O Diário Digital registrou que a edição teve patrocínio de Sebrae, Senar e Sicredi, e citou o idealizador do evento, Cristiano Mendes, para quem a proposta é fortalecer o ambiente de negócios do Estado.

O recado do painel: preparo antes da oportunidade

O diretor de Operações do Sebrae/MS, Tito Estanqueiro, disse no painel que Mato Grosso do Sul atravessa um momento de oportunidades puxado pela chegada de grandes investimentos, que geram demanda por prestação de serviços e fornecimento de produtos. A ressalva veio junto: para capturar essa demanda, segundo ele, as pequenas empresas precisam estar preparadas, qualificadas e estruturadas.

Na prática, isso significa algo bem concreto para quem empreende. Grandes plantas industriais e obras de infraestrutura compram por processos formais: exigem certidões em dia, contratos, capacidade de entrega recorrente, segurança do trabalho e, muitas vezes, cadastro prévio de fornecedores. Uma empresa que opera no improviso perde a licitação privada antes mesmo de apresentar preço.

Espaço publicitário

A mediação do painel foi do empresário Djan de Barros, organizador do “Café com Negócios”, e a mesa contou ainda com Alexandre Cantero, superintendente da Procuradoria Regional do MPT em Mato Grosso do Sul, Lucas Galvan, superintendente do Senar/MS, e Jordana Duenha, diretora regional do Senac-MS, conforme a Agência Sebrae de Notícias. Galvan resumiu o clima: os ciclos de mudança estão mais curtos e exigem respostas mais rápidas de empresas e profissionais. Ele apontou a agroindustrialização do Estado como vetor que abre frentes em logística, serviços e meio ambiente.

Qualificação virou gargalo, não discurso

Outro consenso da mesa foi a distância entre a formação profissional e o que as empresas de fato precisam. Cantero, do MPT-MS, defendeu que a qualificação do empresário e de quem é contratado precisa ser permanente e acompanhar o ritmo do mercado. Ele citou logística, mercado florestal, bioenergia e comércio exterior como áreas em que o Estado abre novas oportunidades.

Para o dono de uma pequena empresa, esse é o tipo de sinal que vale mais do que uma palestra motivacional. Quando três instituições de formação — Sebrae, Senar e Senac — dizem no mesmo palco que falta gente qualificada, a leitura é dupla: há risco de não conseguir contratar e há oportunidade para quem se antecipar e treinar o time antes da concorrência.

A Rota Bioceânica muda o mapa do comércio

Boa parte do otimismo do painel se apoia em um projeto físico. A ponte internacional entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Paraguai, peça central da Rota Bioceânica, tem 1.294 metros de extensão e investimento de cerca de US$ 85 milhões financiados pela Itaipu Binacional. De acordo com a Semadesc, a obra já passava de 90% de execução, com previsão de conclusão em agosto de 2026. A mesma secretaria informa que o Brasil aderiu à Convenção TIR, de transporte internacional de mercadorias, oficializada em fevereiro de 2026, para simplificar procedimentos aduaneiros e reduzir custo e tempo nas fronteiras.

O efeito prático não se limita a exportadores de grãos e proteína. Corredores logísticos puxam serviços em cadeia: manutenção, alimentação, hospedagem, despacho aduaneiro, transporte local, TI, segurança e comércio de fronteira. É aí que o pequeno negócio entra.

Um pano de fundo favorável, mas competitivo

O ambiente nacional ajuda. Segundo o Sebrae, quase 24 milhões de pequenos negócios estavam em funcionamento no último trimestre de 2025, alta de 9,7% sobre o mesmo período de 2024 e recorde da série histórica. Mato Grosso do Sul aparece entre as unidades da federação com crescimento de aberturas acima da média nacional em 2026, conforme dados do Sebrae citados pela CartaCapital. Mais CNPJs abertos, porém, significam também mais concorrência disputando os mesmos contratos.

O que fazer a partir de agora

Se você empreende em MS — ou mira o Estado como mercado —, três movimentos práticos saem desse painel:

  • Organize a casa antes do pedido chegar. Certidões, contratos, precificação e capacidade de entrega recorrente definem quem entra na lista de fornecedores homologados.
  • Escolha um elo da cadeia. Logística, manutenção, serviços ambientais, alimentação e comércio exterior são as frentes citadas pelos participantes como as mais aquecidas no Estado.
  • Trate qualificação como investimento, não custo. Sebrae, Senac e Senar mantêm programas de capacitação, e a mesa foi unânime ao apontar a formação como o ponto de estrangulamento.

Eventos como o Maximize Summit valem pelo que geram depois da última palestra: uma lista de contatos qualificados e uma agenda de ajustes no próprio negócio. O calendário, esse já está dado — a ponte para o Pacífico tem data. A pergunta é se a sua empresa estará pronta quando o caminhão passar.

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