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Treasury a 5,28% pressiona o trade de IA na semana do payroll

Futuros de Nova York andam de lado nesta terça (29), com JOLTS, PCE e payroll no radar. Juro longo em máxima de 19 anos encarece o dinheiro que banca a corrida da inteligência artificial.

Os índices futuros de Nova York operam perto da estabilidade nesta terça-feira (29), em um pregão dominado por três temas que se retroalimentam: os próximos capítulos da corrida da inteligência artificial, os primeiros indicadores da semana sobre o mercado de trabalho americano e a dúvida sobre até onde o Federal Reserve vai subir os juros. A leitura é do InfoMoney, que também registra mercados asiáticos sem direção única e petróleo em alta pelo segundo dia consecutivo, diante do risco de prolongamento do conflito no Oriente Médio.

Em números

5,28%
juro do treasury de 10 anos, maior patamar em 19 anos
3,75% a 4,00%
faixa atual dos Fed Funds após a alta de 16 de setembro
US$ 235 bi
tamanho do programa de recompra de ações ampliado pela Nvidia
100 mil
vagas esperadas pelo Bradesco no payroll de setembro, divulgado sexta (2)
-0,92%
queda do Nasdaq na segunda-feira (28)

A calmaria dos futuros vem depois de uma segunda-feira negativa. Segundo o Diário do Grande ABC, o Dow Jones caiu 0,67%, aos 51.481,72 pontos; o S&P 500 recuou 0,77%, aos 7.683,92; e o Nasdaq perdeu 0,92%, aos 26.820,38. O gatilho foi a informação de que o presidente Donald Trump rejeitou a proposta iraniana de cessar-fogo, afastando a expectativa de trégua e empurrando petróleo, dólar e juros dos títulos americanos para cima.

O juro longo virou o preço da IA

Foi justamente o mercado de renda fixa que apertou as ações de tecnologia. De acordo com análise da corretora XTB, o rendimento do treasury de 10 anos atingiu 5,28% na segunda-feira, maior nível em 19 anos, com o dólar se fortalecendo ante praticamente todas as moedas do G10. O ADVFN registrou o Brent fechando a US$ 105,28 e o WTI a US$ 92,60, depois de máximas ainda mais altas durante o dia.

A conexão é direta com a IA. Data centers, chips e energia são investimentos de longo prazo, financiados em boa parte com dívida. Quando o juro de referência da economia americana sobe, cada dólar de capex fica mais caro e o mercado passa a exigir retorno mais rápido dos projetos. O comportamento das ações na segunda ilustrou essa seletividade: a Nvidia subiu 1,68% após ampliar seu programa de recompra de ações para US$ 235 bilhões, enquanto a Meta caiu 4,79%, conforme o mesmo balanço do Diário do Grande ABC. Na semana anterior, o movimento havia sido o oposto — o InfoMoney apurou altas semanais de 0,28% no Dow, 1,22% no S&P 500 e 2,06% no Nasdaq, com o otimismo em torno da IA vencendo o medo da inflação.

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Uma semana inteira sobre emprego

O calendário explica a cautela. Pelo levantamento da SpaceMoney e pela agenda publicada pelo Money Times, os Estados Unidos concentram nesta semana toda a bateria de dados de trabalho e inflação:

  • Terça (29): relatório JOLTS de vagas abertas em agosto, confiança do consumidor e discurso de Austan Goolsbee, do Fed de Chicago;
  • Quarta (30): emprego privado da ADP, renda e consumo pessoal, deflator do PCE de agosto e leitura final do PIB do segundo trimestre;
  • Quinta (1º): pedidos semanais de auxílio-desemprego e ISM industrial;
  • Sexta (2): payroll de setembro, com expectativa de cerca de 100 mil vagas, segundo projeção do Bradesco citada pela SpaceMoney.

A referência anterior é dura: o payroll de agosto trouxe 162 mil vagas, bem acima do consenso e com revisões para cima, o que reforçou as apostas em juros mais altos, conforme reportou o Jornal de Brasília. Já o JOLTS de julho mostrou 7,27 milhões de vagas em aberto, ou 4,4% das posições, de acordo com análise da Avenue.

O Fed está subindo juros, não cortando

É esse o ponto que muita empresa brasileira ainda não incorporou ao planejamento. Em 16 de setembro, o FOMC elevou os Fed Funds em 0,25 ponto porcentual, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, em decisão unânime de 12 a 0 — a primeira alta desde julho de 2023, segundo O Povo. O ECO destaca que o comunicado do banco central presidido por Kevin Warsh falou em atividade em ritmo sólido e gasto das famílias resiliente, deixando aberta a porta para novo aperto até o fim do ano.

Dirigentes reforçaram o recado. Segundo a CNN Brasil, Thomas Barkin, do Fed de Richmond, disse que a inflação é hoje o lado mais problemático do mandato duplo, e Susan Collins, de Boston, afirmou ver maior chance de a inflação seguir bem acima de 2%. O InfoMoney registrou ainda o aumento das apostas, na ferramenta CME FedWatch, em nova alta na reunião de outubro.

O que muda para quem empreende no Brasil

Juro americano alto e dólar firme encarecem três coisas ao mesmo tempo: a dívida em moeda estrangeira, os equipamentos e serviços de nuvem cotados em dólar e o capital de risco disponível para startups, que costuma migrar para títulos quando a renda fixa americana paga mais de 5% sem risco. Para exportadores, o câmbio ajuda; para quem importa hardware, componentes ou licenças de software, a conta sobe.

No Brasil, a terça também é de dados: PNAD Contínua, Caged, IGP-M e números de crédito bancário entram no radar, conforme a agenda do Money Times. O contraste com os Estados Unidos é relevante porque, como observou análise publicada pelo Times Brasil, Fed e Copom anunciaram decisões em sentidos opostos no mesmo 16 de setembro, o que muda o cálculo de quem capta lá fora ou investe aqui dentro.

O que observar: o PCE de quarta e o payroll de sexta são os dois números capazes de definir se outubro terá mais uma alta de juros nos EUA. Se o emprego vier forte de novo, a pressão sobre os treasuries continua — e as empresas que dependem de capex pesado em IA tendem a ser as primeiras a sentir. Vale revisar agora contratos em dólar, prazos de renovação de nuvem e o cronograma de captações previstas para o quarto trimestre.

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