Da Nang cresce 154% e é o ecossistema mais rápido do Vietnã
A cidade subiu 212 posições no índice da StartupBlink e chegou ao 554º lugar global. O caso mostra como política local e chips viraram atalho para atrair capital.
Uma cidade litorânea de porte médio no centro do Vietnã acaba de ser apontada como o ecossistema de startups que mais cresce no país. Da Nang recebeu da consultoria israelense-suíça StartupBlink o certificado de "ecossistema de crescimento mais rápido do Vietnã" em 2026, depois de ver sua pontuação no Global Startup Ecosystem Index (GSEI) subir cerca de 154% entre as edições de 2025 e 2026 — a maior alta entre as cidades vietnamitas ranqueadas, segundo o VnEconomy.
Em números
- +154%
- alta da pontuação de Da Nang no índice da StartupBlink em um ano
- 212 posições
- o salto da cidade no ranking global, até o 554º lugar
- 50º
- posição do Vietnã entre os países, a melhor da história do país no índice
- 67,9%
- crescimento do ecossistema vietnamita, contra média global de 17,5%
- US$ 75,1 bi
- valor atribuído pela StartupBlink ao ecossistema do Vietnã
O avanço de Da Nang vem embalado por um movimento nacional. Ainda de acordo com o VnEconomy, o Vietnã subiu cinco degraus e chegou ao 50º lugar entre os países no relatório de 2026 da StartupBlink, sua melhor marca desde o início do levantamento. O país agora é o 5º do Sudeste Asiático e o 10º da Ásia, com quatro cidades no Top 1.000 global: Ho Chi Minh, Hanói, Hai Phong — estreante na lista — e a própria Da Nang. Ho Chi Minh entrou pela primeira vez no Top 100, no 98º lugar, e concentra os três unicórnios reconhecidos no relatório: MoMo, Sky Mavis e Tiki.
O que Da Nang fez para subir tão rápido
O salto não é só estatístico. A cidade montou, nos últimos anos, uma infraestrutura de apoio que hoje reúne três centros de suporte a startups inovadoras, 12 incubadoras, oito espaços de coworking, seis fundos de investimento locais e cerca de 200 startups inovadoras, de acordo com levantamento publicado no portal Vietnam.vn. A meta declarada para o período 2026-2030 é entrar no Top 300 mundial.
A segunda perna da estratégia é industrial. Da Nang já atraiu cerca de 70 empresas de semicondutores, microchips e inteligência artificial, entre elas Marvell, Synopsys, Renesas e a vietnamita FPT Semiconductor, conforme a agência VietnamPlus. Em vez de disputar capital de risco no varejo, a cidade usou incentivos fiscais e formação de mão de obra técnica para fincar âncoras de hardware e, a partir delas, puxar fornecedores, laboratórios e startups de software.
A terceira perna é a vitrine. O SURF 2026, festival anual de inovação da cidade realizado em agosto com o tema "uma nova era de crescimento", reuniu mais de 30 palestrantes e representantes de fundos de Singapura, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão e China, mais de 20 organizações parceiras e mais de 150 projetos inscritos na competição de startups, segundo o jornal Nhan Dan. Foi nesse palco que o certificado da StartupBlink foi entregue. Em maio, outro evento local, o DAVAS, havia juntado 5 mil participantes, 30 fundos de venture capital e 62 projetos, de acordo com a VietnamPlus.
Como o Brasil aparece no mesmo ranking
O índice da StartupBlink também mede o Brasil, e a comparação ajuda a dimensionar o caso. O país segue como principal ecossistema da América Latina, mas na 26ª posição mundial no relatório de 2026, conforme a Bloomberg Línea — ou seja, bem à frente do Vietnã em estrutura, mas crescendo menos em ritmo.
Entre as cidades brasileiras, São Paulo lidera no 24º lugar global, seguida por Rio de Janeiro (138º), Curitiba (146º), Belo Horizonte (157º), Porto Alegre (196º) e Florianópolis, que subiu 31 posições e entrou pela primeira vez no Top 250, no 247º lugar, com crescimento anual de 57,1%, o maior entre os principais polos do país, segundo a Exame. É o mesmo roteiro de Da Nang em escala menor: uma cidade média que combina universidade, política pública estável e concentração setorial para ganhar posições mais rápido que a capital econômica.
O que isso muda para quem empreende aqui
Para empresários e gestores brasileiros, o caso de Da Nang tem três leituras práticas:
- Fornecedores e parceiros estão mudando de endereço. Quem compra desenvolvimento de software, design de chips ou serviços de engenharia encontra hoje no Sudeste Asiático polos novos, mais baratos e com capital estrangeiro circulando.
- Ranking é instrumento de captação. Cidades vêm usando certificações internacionais para abrir conversa com fundos. O mesmo vale para empresas: métrica externa e auditável encurta a negociação com investidor.
- Especialização bate generalismo. Da Nang escolheu semicondutores, IA e tecnologias verdes; Florianópolis construiu reputação em software. Ecossistemas que apostam em poucos setores crescem mais rápido do que os que tentam abraçar tudo.
O que observar daqui para frente: se o crescimento de Da Nang se converte em rodadas relevantes e empresas escalando além do mercado interno, ou se fica na casa dos indicadores de atividade. Para quem planeja exportar serviços de tecnologia ou buscar sócios na Ásia, vale acompanhar as próximas edições do SURF e do DAVAS — são as portas de entrada mais diretas para o ecossistema da cidade.
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