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Fever capta US$ 250 mi e Itaú entra em startup de IA avaliada em US$ 2 bi

Semana movimentada no venture capital: entretenimento ao vivo, simulação de comportamento com IA, cripto para a geração Z e ensino de inglês dividiram os cheques.

A semana do venture capital juntou quatro histórias que, vistas em conjunto, explicam bem o momento do dinheiro de risco: infraestrutura para experiências presenciais, inteligência artificial aplicada a decisões de negócio, cripto regulado e educação. O maior cheque foi da Fever, plataforma global de tecnologia para cultura e entretenimento ao vivo, que levantou US$ 250 milhões. No outro extremo, um banco brasileiro colocou dinheiro fora do país: o Itaú Ventures entrou na americana Simile, de simulação de comportamento humano com IA.

Em números

US$ 250 mi
rodada primária da Fever, liderada pela EQT
US$ 2 bi
avaliação da Simile na Série B em que o Itaú Ventures entrou
US$ 15 mi
aporte da Blockchain Capital na fintech NG.Cash
US$ 22 mi
Série B da israelense Loora, de ensino de inglês com IA
55 países
presença atual da Fever, que quer ampliar a operação

Fever: capital institucional aposta no presencial

Segundo a Bloomberg Línea, a rodada da Fever é a maior já registrada por uma empresa de tecnologia do setor de entretenimento ao vivo. A operação foi liderada pela EQT, maior gestora de mercados privados da Europa, com participação relevante da Point72 Private Investments, da Baillie Gifford e de acionistas que já estavam na base.

O dinheiro vai para três frentes: expansão além dos 55 países em que a companhia já opera, entrada em novas categorias de entretenimento e mais investimento em tecnologia para parceiros — promotores, casas de espetáculo, museus, times e instituições culturais. De acordo com o Money Report, a empresa afirma ter mais que triplicado a receita em três anos mantendo Ebitda positivo, e mantém acordos com nomes como Fórmula 1, Palácio de Versalhes, Primavera Sound, FC Barcelona, Netflix e Warner Bros. A Music Business Worldwide informa que a Fever é dona da plataforma de ingressos DICE e que o anúncio da captação, feito em 17 de setembro, não trouxe avaliação atualizada — mas a espanhola Atresmedia comunicou ao regulador do país a venda de uma fatia de pouco mais de 5% por cerca de € 227 milhões.

A leitura prática para quem trabalha com eventos, cultura e hospitalidade: o capital institucional está pagando caro não pelo palco, e sim pela camada de software — bilheteria, descoberta de público, leitura de demanda e precificação. Quem opera experiências presenciais tende a competir cada vez mais por dados, não só por line-up.

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Itaú Ventures entra na Simile: de cliente a sócio

O Itaú Unibanco anunciou na terça-feira (22) que seu braço de corporate venture capital investiu na Simile, startup americana que desenvolve um modelo capaz de simular como populações, organizações e mercados reagiriam a diferentes cenários. O valor do cheque não foi revelado. Conforme o Startups.com.br, o aporte é uma extensão da Série B de US$ 200 milhões liderada pela Greenoaks, que avaliou a empresa em US$ 2 bilhões; a Simile saiu do stealth em fevereiro com uma Série A de US$ 100 milhões e já soma cerca de US$ 300 milhões captados.

De acordo com O POVO, o banco diz ter sido o primeiro cliente da Simile na América Latina e já usava a ferramenta para testar hipóteses antes de decisões, complementando pesquisas com clientes. O CTO Carlos Eduardo Mazzei associou o movimento à estratégia "AI First" da instituição. O recado para gestores é claro: grandes compradores de tecnologia estão virando sócios dos fornecedores que consideram estratégicos — e simulação de cenários virou categoria própria dentro da agenda de IA corporativa.

Fintech e educação: cheques menores, tese explícita

No Brasil, a NG.Cash, carteira digital voltada à geração Z, fechou aporte estratégico de US$ 15 milhões liderado pela Blockchain Capital. Segundo a Exame, a rodada leva o total captado pela fintech a mais de US$ 65 milhões desde 2021 e parte dos recursos vai para a obtenção da licença de prestadora de serviços de ativos virtuais junto ao Banco Central. A empresa, que informou à Bloomberg Línea ter 10 milhões de clientes, pretende estruturar um FIDC e mirar R$ 1 bilhão em originação de crédito até o fim de 2027.

Já a israelense Loora, de ensino de inglês por conversação com IA, captou US$ 22 milhões em Série B liderada pela Union Tech Ventures, com vgames e investidores anteriores. Conforme o Ámbito, a operação eleva o total captado a US$ 43,25 milhões e financia expansão nos Estados Unidos, Europa, Ásia e América do Sul, além do avanço no modelo B2B com empresas, universidades e órgãos públicos.

O que observar

  • Regulação como tese de investimento: a janela da licença de cripto do Banco Central atraiu o primeiro cheque da Blockchain Capital no Brasil. Mudança de regra continua criando oportunidade para quem se antecipa.
  • Corporate venture ativo: bancos brasileiros estão comprando acesso a tecnologia lá fora. Fornecedores de IA com caso de uso comprovado dentro de um cliente grande têm caminho mais curto para o cap table.
  • Eficiência antes do cheque: Fever e NG.Cash levantaram dinheiro exibindo tração e disciplina financeira, não promessa. É o padrão que pequenos e médios negócios devem esperar ao buscar investimento.

Para quem empreende, a lição da semana é menos sobre os valores e mais sobre o critério: capital está indo para empresas que já têm receita, dados proprietários e um problema regulatório ou operacional bem definido para resolver.

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