Tecnologia contra o desperdício: evento em SP reúne varejo, Embrapa e ONU
Encontro do Dia Internacional de Conscientização sobre Perdas e Desperdício de Alimentos discute, em 29 de setembro, ferramentas que já cortam até 20% do descarte em supermercados.
Em números
- 400
- participantes previstos no encontro de 29 de setembro, em São Paulo
- 1,82%
- perda operacional média sobre o faturamento das empresas analisadas pela ABRAS em 2025
- R$ 5,6 mi
- economia projetada por um único grupo varejista com aproveitamento de hortifrúti
- 94 kg
- desperdício anual por pessoa nos domicílios brasileiros, segundo índice da ONU
Jogar comida fora deixou de ser só um problema ambiental e virou linha de custo em planilha. É essa a leitura que une os organizadores do encontro marcado para 29 de setembro de 2026, das 9h às 12h30, no auditório da Associação Paulista de Supermercados (Apas), na Rua Pio XI, 1200, em São Paulo. Segundo a revista SuperHiper, publicação oficial da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), o evento tem o título “Dia Internacional de Conscientização sobre Perdas e Desperdício de Alimentos: inovações tecnológicas e sociais para transformação dos sistemas alimentares” e espera até 400 participantes.
A lista de organizadores dá a dimensão do arranjo entre setor privado, governo e organismos internacionais: ABRAS, Embrapa, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Sesc Mesa Brasil, WWF-Brasil, Pacto Contra a Fome, a empresa Connecting Food e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O que entra em debate
Ainda de acordo com a SuperHiper, um dos painéis se chama “Tecnologias pós-colheita para prevenção de perdas e desperdícios de alimentos: parcerias com o varejo”, com moderação de Gustavo Porpino, representante da Embrapa no comitê gestor da Estratégia PDA (perdas e desperdício de alimentos). Entre os debatedores estará o pesquisador Marcos David Ferreira, da Embrapa Instrumentação — unidade dedicada, entre outros temas, a sensores e soluções de monitoramento aplicadas ao agro.
Outro bloco apresenta o projeto Ceasa Desperdício Zero e a atuação do Pacto Contra a Fome, por Rafaela Vieira, gerente de Relações Institucionais e Políticas Públicas do instituto. A iniciativa busca fortalecer os bancos de alimentos das centrais de abastecimento com reaproveitamento e redistribuição de produtos, e nasce de uma cooperação técnica com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento (Abracen).
O pano de fundo regulatório é a II Estratégia Intersetorial para a Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos, aprovada pelo MDS em 29 de setembro de 2025, no âmbito da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan). O documento integra a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e cobre a cadeia da produção ao consumo.
Por que isso mexe no caixa
Para quem administra loja, distribuidora ou restaurante, o número mais direto vem da própria ABRAS. De acordo com a Pesquisa de Eficiência Operacional 2026 da entidade, divulgada pelo Guaíra News, a perda operacional média das empresas analisadas ficou em 1,82% do faturamento em 2025. O levantamento também mostra que 29,76% das companhias acompanhadas nas duas últimas edições aumentaram a receita e, ao mesmo tempo, viram as perdas subir, enquanto 45,95% conseguiram vender mais reduzindo ineficiências.
No agregado global, o Índice de Desperdício de Alimentos do PNUMA calculou 1,05 bilhão de toneladas de resíduos alimentares em 2022, o equivalente a 132 quilos por habitante e a quase um quinto de tudo o que chega ao consumidor. Nos domicílios brasileiros, a estimativa do mesmo índice é de 94 quilos por pessoa ao ano, conforme reportou a Forbes Brasil.
Casos que já viraram resultado
A agenda tecnológica do evento conversa com projetos que o varejo vem testando. O Grupo Pereira informou à SuperHiper ter obtido queda de 20% no desperdício de frutas, legumes e verduras nas lojas que receberam sua solução, além de corte de 50% no custo dos refeitórios. O modelo combina painéis de monitoramento em tempo real com um “Guia Visual de Aproveitamento”, ficha que orienta o operador a decidir, na área de venda, se o produto ainda vende, se vai para aproveitamento ou se segue para doação. Já foram 371 toneladas desviadas do descarte, e a economia projetada para 2026 na bandeira Forte chega a R$ 5,6 milhões, o equivalente a 8.357 toneladas.
Em outra frente, o Grupo Asun relatou redução de 21,2% no desperdício em 2026, apoiada em caderno eletrônico para controle de validades, padronização de processos e treinamento de equipes. Segundo o coordenador de prevenção de perdas da rede, Rogério Lima, hortifrúti, padaria e açougue concentram a maior exigência de controle.
O que observar
Três pontos valem atenção de quem trabalha com alimentos, mesmo fora do grande varejo:
- Dado antes de software. Os casos bem-sucedidos começam medindo o que se perde por categoria e por causa (validade, avaria, manuseio), não comprando ferramenta.
- Destino do excedente. A doação estruturada tem amparo legal desde a Lei 14.016/2020, citada pela Embrapa entre os marcos do tema, e rede como o Sesc Mesa Brasil opera a logística.
- Pós-colheita. Embalagem, refrigeração e transporte explicam boa parte da perda em perecíveis, o que joga a conversa para fornecedores e centrais de abastecimento.
Para pequenas e médias empresas, a lição prática é que redução de desperdício é projeto de margem, não de marketing. Quem quiser acompanhar o debate encontra a programação completa na página da ABRAS e da SuperHiper.
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