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4,2 mil médicos pedem fim das bets e investigação de parlamentares

Carta assinada por 4.264 médicos pede proibição total das apostas online, fiscalização e apuração de benefícios recebidos por políticos ligados ao setor.

Foto: Vitaly Gariev / Unsplash

Em números

4.264
médicos assinaram a carta, de todas as unidades da federação
140%
é o aumento nos atendimentos do SUS por problemas com apostas (2018–2025)
R$ 37 bi
perdidos por apostadores em 2025, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas

Uma carta assinada por 4.264 médicos de todo o Brasil está colocando pressão sobre o futuro das apostas online no país. O documento, com adesão de profissionais de todas as 27 unidades da federação, pede a proibição definitiva das plataformas de apostas — as chamadas "bets" — e a conversão da Medida Provisória nº 1.394/2026, editada pelo governo Lula, em lei permanente. Os signatários também solicitam ao Supremo Tribunal Federal (STF) que mantenha a validade da medida enquanto o Congresso Nacional discute o tema segundo o Agenda do Poder.

Do total de assinaturas, 1.246 são de psiquiatras e médicos residentes em psiquiatria, e os demais 3.018 são de outras especialidades. A mobilização reflete uma crescente preocupação com os impactos sociais e psicológicos do setor, com relatos de pacientes em tratamento por dependência de apostas, endividamento extremo, ruptura de vínculos familiares e tentativas de suicídio informa a Revista Fórum.

Proibição total e fim da publicidade

O manifesto defende uma proibição integral, sem período de transição ou exceções. Os médicos argumentam que a regulamentação anterior do setor não protegeu adequadamente pessoas vulneráveis ao transtorno do jogo. Eles exigem a extinção de toda forma de publicidade e patrocínio por empresas de apostas — práticas comuns em clubes de futebol, eventos esportivos e plataformas digitais.

"A oferta ilimitada de jogos e a publicidade massiva dificultam o controle individual, especialmente de quem já desenvolveu dependência", alertam os profissionais. O documento também pede maior fiscalização das plataformas ilegais e dos meios de pagamento utilizados pelas operadoras, como criptomoedas e carteiras digitais, que dificultam o rastreamento de transações.

Espaço publicitário

Impacto no SUS e perdas financeiras

Os médicos citam dados do Ministério da Saúde indicando aumento de aproximadamente 140% nos atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados ao jogo patológico entre 2018 e 2025 conforme a Revista Fórum. Esse crescimento sobrecarrega serviços de saúde mental já escassos, especialmente em regiões com menor cobertura especializada.

O manifesto também destaca que, em 2025, os apostadores perderam R$ 37 bilhões no mercado regulado, segundo informações da Secretaria de Prêmios e Apostas segundo o Agenda do Poder. Esse valor representa um impacto direto na economia doméstica, com consequências para consumo, poupança e saúde financeira de milhões de famílias.

Investigação de parlamentares

Além da proibição, os médicos pedem investigação sobre eventuais vantagens recebidas por parlamentares de empresas de apostas. O documento cobra apuração de políticos que atuaram pela legalização e regulamentação do setor, bem como daqueles que defendem a reabertura do mercado. A exigência reforça o debate sobre conflitos de interesse e a influência do lobby privado na formulação de políticas públicas.

A iniciativa tem apoio institucional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da Sociedade de Pediatria do Distrito Federal. A proibição das bets entrou em vigor em setembro de 2026, por meio da medida provisória, mas ainda depende de aprovação no Congresso para se tornar lei permanente.

O que isso muda para a sua empresa

  • Reputação em risco para marcas ligadas a bets: Empresas que patrocinam ou se associam a plataformas de apostas podem enfrentar pressão de consumidores, investidores e órgãos de classe. O movimento médico fortalece a narrativa de que o setor tem impacto social negativo.
  • Oportunidades para saúde mental e tecnologia assistiva: Startups e empresas de saúde digital podem se posicionar com soluções de triagem, tratamento e prevenção de dependência de apostas, especialmente se houver ampliação de recursos públicos.
  • Atenção redobrada em patrocínios esportivos: Clubes e eventos que receberam recursos de bets devem repensar parcerias. A pressão regulatória e social pode tornar esses acordos insustentáveis.
  • Fiscalização de meios de pagamento: Fintechs e plataformas de pagamento precisam monitorar transações suspeitas, já que o manifesto pede maior controle sobre canais usados pelas operadoras.
  • Alinhamento com ESG: Empresas com políticas de governança devem avaliar se suas cadeias de valor têm exposição indireta ao setor, como anúncios programáticos em sites de apostas.

O que os empreendedores, criadores e gestores devem observar: o movimento médico pode influenciar decisões regulatórias, de patrocínio e de opinião pública. A pressão por uma proibição permanente tende a crescer, especialmente se o STF sustentar a medida provisória. Marcas ligadas ao setor enfrentam risco reputacional crescente, enquanto o campo da saúde mental e da tecnologia social pode se expandir com novos investimentos. A definição no Congresso será o próximo grande desafio político e econômico.

https://agendadopoder.com.br/carta-de-psiquiatras-contra-bets-reune-mais-de-42-mil-assinaturas-de-medicos-em-todo-o-brasil/ https://revistaforum.com.br/politica/medicos-manifesto-fim-bets/
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