3,6 milhões de vidas em risco: alerta contra KOAH com IA
Projeto-piloto em Gaziantep (Turquia) usa inteligência artificial para prever crises respiratórias com base em dados climáticos e de saúde.

Um projeto inovador em Gaziantep, no sudeste da Turquia, está usando inteligência artificial para prever crises respiratórias em pacientes com DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), conhecida como KOAH — a terceira maior causa de morte no mundo. A iniciativa Iklimden Nefese (Do Clima ao Sopro), liderada pela farmacêutica Sanofi e pela ONG Yuvam Dünya Derneği, em parceria com a Prefeitura de Gaziantep e a Diretoria Provincial de Saúde, busca transformar dados climáticos e de saúde em alertas precoces para salvar vidas. Segundo o Türkiye Gazetesi, o modelo pode ser replicado em outras cidades com desafios ambientais semelhantes.
Em números
- 3,6 mi
- mortes por KOAH no mundo em 2023, segundo a OMS
- 25 dias
- depois de poeira intensa por ano em Gaziantep, quase 3x a média nacional
- 56,7%
- dos casos de KOAH em Gaziantep são de pessoas com 65+ anos
Como a IA pode salvar vidas respiratórias
O projeto Iklimden Nefese analisa dados combinados de temperatura, umidade, qualidade do ar e transporte de poeira, cruzados com registros médicos do sistema e-Nabız — a plataforma digital de saúde pública da Turquia. O objetivo é identificar com antecedência os dias de alto risco para pacientes com KOAH, permitindo que tomem medidas preventivas antes que uma crise se instale. De acordo com o Haberton, a integração entre meteorologia e saúde pública pode reduzir internações e aliviar a pressão sobre hospitais.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 3,6 bilhões de pessoas vivem em regiões altamente vulneráveis às mudanças climáticas. Agravantes como calor extremo, frio intenso, poluição do ar e tempestades de poeira acentuam doenças respiratórias crônicas. No Brasil, doenças respiratórias representam 15,1% de todas as mortes, segundo dados do IBGE de 2025 citados pelo Bloomberg HT. O modelo de Gaziantep pode servir como referência para cidades com alta poluição e variações climáticas extremas, especialmente em países em desenvolvimento.
Por que Gaziantep foi escolhida?
Gaziantep é um epicentro de riscos ambientais: a região registra cerca de 25 dias por ano com transporte intenso de poeira, quase três vezes a média nacional de 9,2 dias, segundo avaliação da Direção Meteorológica Geral da Turquia. Esses eventos, somados ao calor intenso e à poluição, agravam doenças respiratórias. Um estudo preliminar com 38.791 registros de doenças respiratórias entre 2023 e 2025 identificou 12.883 casos relacionados à KOAH. Segundo o Bloomberg HT, a média diária de internações no inverno foi 1,49 vez maior que no verão, destacando a sazonalidade do risco.
Para a prefeita de Gaziantep, Fatma Şahin, o projeto é uma resposta prática à emergência climática. "Estamos aqui para proteger nossos idosos e crianças e deixar uma cidade saudável para as próximas gerações", afirmou em coletiva de imprensa. A diretora científica do projeto, Kıvılcım Pınar Eğilmez Kocabıyık, reforça os pilares: "prever, prevenir e medir".
O que isso muda para a sua empresa
Para empreendedores, gestores de saúde e líderes de inovação, o projeto Iklimden Nefese oferece lições práticas sobre como dados integrados podem transformar serviços e reduzir custos:
- Antecipe demandas de saúde ocupacional: Empresas com equipes em áreas de alto risco ambiental podem usar modelos semelhantes para alertar trabalhadores com problemas respiratórios, reduzindo afastamentos e aumentando a produtividade.
- Invista em soluções de saúde digital: Startups podem desenvolver apps que integrem previsão do tempo, qualidade do ar e histórico médico, oferecendo alertas personalizados — um mercado em crescimento em países com alta poluição urbana.
- Fortaleça parcerias público-privadas: O sucesso do projeto depende da colaboração entre setor privado (Sanofi), ONGs, governo local e saúde pública. Modelos híbridos como esse são cada vez mais essenciais para escalar inovações em saúde.
- Prepare hospitais e planos de saúde para picos sazonais: Com base em dados preditivos, operadoras podem ajustar alocação de recursos, reforçar equipes em períodos de risco e oferecer programas preventivos a pacientes vulneráveis.
- Use dados para responsabilidade social corporativa (RSC): Empresas podem alinhar iniciativas de RSC a projetos de saúde climática, gerando impacto social e fortalecendo sua imagem em comunidades afetadas por poluição e mudanças climáticas.
O que observar nos próximos meses
O próximo passo é validar o modelo em outros estados turcos. Se bem-sucedido, o sistema pode se tornar uma referência global em saúde climática — especialmente para países com grandes centros urbanos e alta poluição do ar. Projetos que cruzam IA, clima e saúde estão em ascensão, e iniciativas como essa podem impulsionar novos investimentos em tecnologias preventivas. Empreendedores e gestores devem monitorar os resultados do piloto em Gaziantep para identificar oportunidades de adaptação local, especialmente em regiões com desafios ambientais semelhantes.
O que observar: Projetos que cruzam IA, clima e saúde estão em ascensão. Empreendedores e gestores devem monitorar iniciativas como essa para antecipar demandas por soluções preventivas e integradas.
Sources:
Núcleo de apuração do Pulso. Acompanha o noticiário de negócios e tecnologia e reescreve os fatos com as fontes citadas e linkadas.


