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Como editais e escola pública impulsionaram artista premiado

Adriano Machado, artista visual da Bahia, mostra como educação pública e políticas culturais foram essenciais para sua trajetória e para a economia criativa.

Foto: Divulgação

Adriano Machado, artista visual natural de Feira de Santana (BA), é um exemplo vivo de como a educação pública e os editais culturais podem transformar trajetórias individuais e impulsionar a economia criativa no Brasil. Em entrevista ao programa “Empreender Brasil”, da TV 247, ele detalhou como sua carreira foi construída com base em políticas públicas, formação acadêmica e fomento a projetos artísticos segundo o Brasil 247. Sua trajetória revela um caminho acessível, mas pouco explorado: o de quem usa a estrutura pública como alavanca para inovar, empreender e gerar impacto.

Formado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e doutorando na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Adriano destaca que a universidade pública foi o ponto de partida para o desenvolvimento de sua linguagem artística. Foi lá que aprendeu a participar de editais, criar redes e estruturar projetos que circularam por mostras internacionais, como a Biennale de Dakar, em 2022, e exposições em Nova York e Londres. “Nenhuma dessas portas estaria ao meu alcance sem investimento em educação pública”, afirmou.

Da câmera VGA ao reconhecimento internacional

Neto de uma lavadeira e um feirante, Adriano foi o primeiro da família a se formar em arte. Sua primeira câmera foi um celular com câmera VGA. Com o tempo, foi trocando de equipamento com recursos de trabalhos freelancers, premiações e vendas de obras. Fotografou aniversários infantis e eventos para financiar sua pesquisa autoral. “Eu vou articulando para que eles consigam se pagar, para que, de algum modo, eu consiga fazer com que a minha carreira continue se pagando”, explicou.

Hoje, além de produzir arte, ele é técnico de design gráfico na prefeitura de seu município, o que garante sua renda fixa. O dinheiro da arte, por sua vez, é reinvestido em novos projetos — como locações, materiais, impressões e equipes técnicas. “A fotografia autoral custa muito mais do que uma câmera”, diz. Projetos de qualidade exigem cenários, assistentes, tecidos e transporte, o que torna o financiamento público essencial.

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Como editais movimentam a economia local

Um exemplo concreto do impacto econômico da arte foi um projeto que Adriano realizou com outro artista, com R$ 50 mil em recursos públicos. O valor permitiu contratar 16 profissionais locais e comprar materiais de montagem e iluminação no comércio da região. O projeto ainda recebeu dezenas de escolas, gerando circulação para pequenos negócios de alimentação e transporte.

“Uma exposição não envolve apenas o artista”, afirma. “Ela gera trabalho para produtores, curadores, montadores, eletricistas, iluminadores e transportadores”. Essa cadeia produtiva mostra que a cultura não é apenas expressão artística, mas também motor econômico. Em tempos de debate sobre o uso de recursos públicos, Adriano defende que a cultura deve ser vista como investimento, não despesa.

Educação e arte como direitos

Além do caso de Adriano, outras iniciativas mostram o poder transformador da arte na educação pública. Em Vitória (ES), cerca de 40 alunos com altas habilidades da EMEF Álvaro de Castro Mattos expuseram obras no Tribunal de Justiça do Espírito Santo. As pinturas, gravuras e objetos sustentáveis foram produzidos no projeto “Arte Legal: Colorindo Direitos, Construindo o Futuro”, financiado pelo Fundo da Infância e da Adolescência (FIA) via edital do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONCAV) segundo o Informe Capixaba.

Na Bahia, o concurso artístico-cultural promovido pela ANPEd também destacou produções de estudantes. Entre as vencedoras, está uma história em quadrinhos sobre inclusão escolar, feita por Mauro Carrara, aluno com autismo de 18 anos, e um documentário sobre Celina Ferreira Lopes, uma mulher negra e idosa alfabetizada na Educação de Jovens e Adultos (EJA) segundo a ANPEd.

O que isso muda para a sua empresa

  • Editeis são ferramentas reais de fomento: Empreendedores criativos devem monitorar editais públicos e privados. Projetos como os do FIA ou da ANPEd oferecem recursos para inovação, inclusão e desenvolvimento local — e não exigem apenas artistas, mas também gestores, produtores e educadores.
  • Educação pública é infraestrutura para inovação: Escolas e universidades públicas formam talentos, geram pesquisas e promovem inclusão. Empresas que se conectam a essas redes ampliam seu alcance social e encontram novos parceiros.
  • Arte gera economia circular: Projetos culturais movimentam cadeias produtivas locais — desde fornecedores de materiais até serviços de transporte e alimentação. Investir em cultura é, também, investir em desenvolvimento regional.
  • Inclusão é inovação: Obras como as de Mauro Carrara e Celina Ferreira mostram que vozes historicamente marginalizadas trazem perspectivas únicas. Empresas que promovem diversidade em seus times e projetos têm mais chances de criar soluções disruptivas.
  • Parcerias ampliam impacto: A colaboração entre instituições, como a da Secretaria de Educação de Vitória com o ICORES, demonstra que o trabalho conjunto multiplica resultados. Buscar alianças com ONGs, prefeituras e universidades pode potencializar qualquer iniciativa.

O que observar nos próximos meses

Com as eleições de 2026 em pauta, o debate sobre o papel da cultura e da educação na economia brasileira tende a se intensificar. Projetos como os da ANPEd e do ICORES podem servir de referência para políticas públicas futuras. Para empreendedores, criadores e gestores, a lição é clara: a arte não é um luxo — é infraestrutura. Acompanhar editais, fortalecer parcerias com instituições públicas e reconhecer a cultura como vetor de desenvolvimento será essencial para quem quer inovar com propósito e sustentabilidade.

https://www.brasil247.com/empreender/artista-premiado-mostra-como-educacao-publica-e-editais-impulsionaram-sua-carreira/ https://anped.org.br/conheca-as-obras-vencedoras-do-concurso-artistico-cultural-anped-nas-eleicoes-de-2026-a-educacao-que-defendemos/ https://www.informecapixaba.com.br/2026/10/07/alunos-com-altas/
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