Startup movimenta R$ 1 bi com Pix em vez de viagens
Cashin transforma prêmios de vendedores em pagamentos instantâneos por Pix, eliminando o desperdício de recompensas inúteis e impulsionando a eficiência em campanhas comerciais.

Uma startup brasileira está redefinindo como empresas recompensam seus vendedores. Em vez de viagens à Disney ou vale-compras em lojas específicas, a Cashin permite que prêmios sejam convertidos em transferências instantâneas via Pix — e já movimentou R$ 1 bilhão em transações em 2025.
Em números
- R$ 1 bi
- movimentado pela Cashin em transações em 2025
- 66,6%
- crescimento em transações em relação a 2024
- R$ 4,6 mi
- receita contábil auditada em 2025
- 57,4%
- crescimento da receita em 2025
- R$ 20 mi
- valor previsto em rodada de investimento Série A
Do problema do vale em papel ao Pix como recompensa
Luciana Ramos e Nani Gordon, ex-executivas do varejo com passagens por marcas como C&A, Riachuelo e M5, fundaram a Cashin após identificar um problema comum: funcionários que atingiam metas de venda recebiam prêmios que não podiam usar. Uma viagem à Disney, por exemplo, era inútil para quem não tinha dólares ou não podia sair do país.
"O funcionário ligava para o RH dizendo que não tinha dólares para gastar lá e que precisava, na verdade, pagar a conta de luz atrasada", conta Nani Gordon, cofundadora da startup, em entrevista ao Exame.
O problema não era apenas logístico — era emocional. Muitos vendedores se sentiam desmotivados quando o prêmio não atendia às suas necessidades reais. Foi para resolver esse descompasso que as duas executivas criaram uma plataforma digital que transforma recompensas em valor fluido, direto e livre.
Como funciona a plataforma de premiações inteligentes
A Cashin atua como plataforma de gestão de campanhas de incentivo para empresas que querem estimular vendedores, distribuidores e representantes autônomos. Em vez de vales em papel ou cartões de lojas específicas, o prêmio é liberado em forma de Pix, TED, cartão físico ou virtual, ou ainda pode ser usado em mais de 100 parceiros, como Shopee, ou no marketplace da Vertem.
"Enquanto os bancos legados apostavam no visual clínico e corporativo, nós viemos do varejo com uma interface colorida e simples", afirma Gordon. A simplicidade visual tornou-se um diferencial: até hoje, o SAC da empresa recebe ligações de usuários dizendo "cliquei no botão rosa para transferir meu Pix".
Além da liberdade de uso, a plataforma traz transparência e agilidade. As empresas definem metas, acompanham resultados em tempo real e liberam os prêmios com um clique. Tudo é registrado digitalmente, garantindo segurança jurídica — algo essencial para grandes corporações que precisam comprovar a efetividade de campanhas de incentivo.
Receita e crescimento acelerado
Em 2025, a Cashin movimentou R$ 250 milhões em transações — um aumento de 66,6% em relação ao ano anterior. Sua receita contábil auditada subiu de R$ 2,9 milhões para R$ 4,6 milhões, crescimento de 57,4%, o que a colocou em sétimo lugar no ranking EXAME Negócios em Expansão 2026, na categoria de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões.
Com esse desempenho, a empresa prepara uma rodada de investimento de até R$ 20 milhões, chamada Série A, para expandir o negócio e desenvolver ferramentas de inteligência artificial. O foco será em personalização de campanhas, detecção de padrões de desempenho e automação de recompensas baseadas em dados em tempo real.
Um mercado fragmentado, mas com oportunidades reais
O cenário brasileiro de tecnologia para viagens é marcado por fragmentação: segundo o Panorama das Travel Techs 2026, o país tem 225 startups nesse setor, mas apenas três concentram mais de R$ 1,1 bilhão em captações nos últimos 12 meses.
"Ter 225 travel techs não significa ter 225 inovações", afirma Patrick Tytgadt, CEO da Loupit, que realizou o estudo. "A verdadeira inovação está em conectar o que já existe, automatizar o que ainda é manual e simplificar o que nenhuma solução conseguiu resolver sozinha."
A Cashin é um exemplo disso: ao transformar prêmios em pagamentos digitais, ela resolve um problema operacional e financeiro que afeta milhares de empresas. Outra startup do setor, a PassHub, que atua em agências de viagens, já captou R$ 7,5 milhões em rodada pré-seed para expandir sua plataforma com inteligência artificial — mostrando que o investimento em automação e conectividade está em alta.
O que isso muda para quem empreende, trabalha ou cria?
- Para empreendedores: Campanhas de incentivo deixam de ser custo fixo e passam a ser investimento inteligente. Com o Pix, o prêmio tem valor real e o funcionário decide como usá-lo — aumentando engajamento e eficiência. Além disso, a plataforma reduz burocracia, evita perdas com vales não utilizados e permite rastreamento completo de resultados.
- Para trabalhadores: A liberdade de escolha sobre o prêmio aumenta o valor percebido. Em vez de uma viagem que não pode usar, o funcionário recebe dinheiro para pagar dívidas, fazer investimentos ou gastar com o que realmente importa — o que gera maior motivação e satisfação no trabalho.
- Para criadores e startups: O modelo da Cashin mostra que inovação não precisa ser um novo produto, mas sim uma nova forma de entregar valor — especialmente em setores tradicionais como gestão de prêmios. A tecnologia pode ser aplicada em outras áreas: reembolsos, comissões, benefícios e até gestão de despesas corporativas.
- Para gestores de RH: A transparência e o controle digital permitem que as empresas avaliem o impacto real dos programas de incentivo, ajustem campanhas em tempo real e evitem fraudes ou desvios.
- Para investidores: O crescimento acelerado da Cashin e o interesse em inteligência artificial indicam que soluções que conectam pessoas, processos e tecnologia estão no centro da próxima onda de inovação no setor corporativo.
Com a chegada da inteligência artificial no núcleo dos produtos — como na precificação, detecção de fraudes e recomendações personalizadas —, o futuro das campanhas de incentivo está cada vez mais conectado, automatizado e humano.
O que observar nos próximos meses
Os próximos meses serão decisivos para ver como a Cashin e outras startups do setor de tecnologia corporativa vão se integrar com sistemas legados. A verdadeira barreira não é a tecnologia, mas a adoção. Muitas empresas ainda compram passagens por telefone, usam planilhas e não integram sistemas.
Empresas que investirem em soluções que conectam, automatizam e simplificam processos terão vantagem competitiva. Quem ainda depende de vales em papel ou cartões fechados está perdendo tempo e dinheiro. O futuro é de prêmios flexíveis, pagamentos instantâneos e decisões baseadas em dados — e já está aqui.
Fontes:
Núcleo de apuração do Pulso. Acompanha o noticiário de negócios e tecnologia e reescreve os fatos com as fontes citadas e linkadas.


