IPCG reúne especialistas para debater IA, regulação e competitividade na Europa
Conferência em Lisboa reúne gestores e juristas para discutir como a regulação europeia impacta a inovação e a governança corporativa, com foco na inteligência artificial.

O Instituto Português de Corporate Governance (IPCG) realizou nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, a conferência "Competitividade, Inovação e Regulação na Europa". O evento reuniu gestores, juristas, especialistas em governança e líderes de grandes organizações para discutir como as empresas podem se posicionar em um cenário europeu cada vez mais regulado, tecnologicamente acelerado e globalmente competitivo. Com quatro painéis e 16 oradores, a iniciativa destacou o papel central dos conselhos de administração na gestão de riscos, inovação e transformação digital impulsionada pela inteligência artificial (IA).
Regulação como alavanca, não entrave
Um dos eixos centrais do debate foi o impacto da regulação europeia sobre a competitividade das empresas. Segundo o Jornal Económico, o presidente da Direção do IPCG, João Moreira Rato, afirmou que “a competitividade europeia depende das condições que a regulação cria, mas também da qualidade das decisões dentro das empresas”. Para ele, a previsibilidade das regras é essencial para atrair investimentos, mas não basta: é preciso que os conselhos saibam interpretá-las estrategicamente.
O debate questionou se a regulação atua como freio ou motor de inovação. A posição defendida por vários especialistas é que, quando bem compreendida e integrada ao planejamento estratégico, a regulação pode se tornar um diferencial. De acordo com o site do IPCG, a regulação não deve ser vista apenas como obrigação, mas como um quadro que orienta decisões com maior segurança jurídica — especialmente em setores sensíveis como tecnologia, finanças e dados.
IA nos conselhos: da estratégia à ética
A inteligência artificial foi tema recorrente em todos os painéis. A tecnologia já transforma modelos de negócio, processos de tomada de decisão e a própria governança corporativa. O IPCG destacou que a adoção de IA exige que os conselhos de administração assumam um papel ativo na supervisão ética, legal e operacional do uso de algoritmos e dados.
“Os conselhos têm de saber questionar, compreender as implicações da tecnologia e avaliar onde investir e que competências desenvolver”, afirmou Moreira Rato. A conferência abordou ainda os desafios sociais da transformação digital, como o impacto da IA na gestão de talentos, na requalificação de equipes e na redefinição de funções dentro das organizações.
- Os conselhos precisam entender como a IA afeta decisões estratégicas e operacionais.
- A supervisão de dados e algoritmos exige integração entre áreas jurídicas, técnicas e de compliance.
- A transformação digital exige liderança proativa na gestão de mudanças internas e na comunicação com colaboradores.
- O apoio jurídico deve estar presente desde a concepção de projetos com IA, não apenas na fase de implementação.
- A ética na IA — transparência, não discriminação e responsabilidade — deve ser parte da cultura organizacional.
Lideranças e parcerias no centro do debate
Entre os participantes estiveram Pedro Siza Vieira (PLMJ), Cristina Casalinho (Fundação Calouste Gulbenkian), Ricardo Pires (CEO da Semapa), Gonçalo Marques Oliveira (MEO), Pedro Pimenta (CEO do Abanca Portugal) e Paulo Sousa (Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa). A abertura foi conduzida por João Moreira Rato, e o encerramento ficou a cargo de António Gomes Mota, presidente do Conselho Geral do IPCG.
O evento contou com o apoio estratégico de renomadas sociedades de advocacia, como Abreu Advogados, Linklaters, Morais Leitão, Pérez-Llorca, PLMJ, SRS Legal, Uría Menéndez e VdA. Essa parceria reforça a importância do diálogo entre juristas e gestores para que a inovação ocorra dentro de um arcabouço seguro e sustentável.
O que isso muda para a sua empresa
Para empreendedores, gestores e conselheiros, o debate do IPCG traz implicações práticas imediatas:
- Integre juristas à estratégia desde o início: decisões tecnológicas e regulatórias não podem ser tratadas em silos. Ter advogados nas discussões iniciais de projetos com IA evita riscos legais e aumenta a velocidade de inovação com segurança.
- Prepare os conselhos para supervisionar a IA: a governança de tecnologia exige que os membros dos boards tenham noções básicas de algoritmos, privacidade de dados e compliance regulatório, como o AI Act da União Europeia.
- Invista na capacitação contínua de lideranças: em um ambiente de mudança acelerada, a capacidade de antecipar tendências e adaptar modelos de negócio é um ativo estratégico.
- Pense na dimensão social da transformação: automatizar processos sem preparar as pessoas gera resistência e perda de produtividade. Planos de requalificação e comunicação clara são essenciais.
- Use a regulação a seu favor: empresas que internalizam normas europeias como padrão de qualidade podem ganhar vantagem competitiva em mercados internacionais.
O que observar nos próximos meses
O debate do IPCG é um termômetro do que está por vir: a governança corporativa está cada vez mais ligada à tecnologia, à ética e à regulação. Nos próximos meses, é fundamental acompanhar a evolução do AI Act da UE, a postura dos reguladores nacionais e os movimentos de empresas líderes na adoção responsável de IA. Quem alinhar governança, inovação e compliance hoje, estará melhor posicionado para competir amanhã.
sources: https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/ipcg-reune-gestores-e-juristas-para-debater-competitividade-europeia-regulacao-e-ia/ https://cgov.pt/noticias/eventos-do-ipcgNúcleo de apuração do Pulso. Acompanha o noticiário de negócios e tecnologia e reescreve os fatos com as fontes citadas e linkadas.
