Data centers podem exigir US$ 6,7 tri até 2030
Investimento global em infraestrutura para data centers deve atingir US$ 6,7 trilhões até 2030, segundo McKinsey, com foco em IA e energia.

Em números
- US$ 6,7 trilhões
- Investimento global estimado em data centers até 2030, segundo McKinsey
- 1.288 TWh
- Consumo de energia projetado para data centers em 2030, segundo Bain & Company
- US$ 130 bilhões
- Valor de projetos de data centers atrasados ou cancelados por resistência local em 2026
Os data centers podem exigir investimentos globais de até US$ 6,7 trilhões até 2030, segundo o cenário central da consultoria McKinsey, com a maior parte desse valor — cerca de US$ 5,2 trilhões — destinada à infraestrutura de inteligência artificial (IA). A projeção ajuda a dimensionar a escala do esforço necessário para sustentar a expansão da computação avançada, mas também revela desafios estruturais em energia, conectividade e mão de obra. Segundo o UOL Economia, os números representam estimativas, não contratos fechados, e dependem da velocidade de adoção da IA pelas empresas.
O que compõe o investimento em IA
Dos US$ 5,2 trilhões previstos para infraestrutura de IA, a McKinsey estima que 60% serão destinados a chips e equipamentos de tecnologia, como GPUs, memória e sistemas de rede. Outros 25% irão para geração e fornecimento de energia, refrigeração e infraestrutura elétrica — itens essenciais para manter a operação estável. Os 15% restantes cobririam terrenos, materiais e construção civil. Segundo o Jornal Amanhecer, essa divisão mostra que a montagem de um data center vai muito além da compra de processadores.
"Reduzir um data center de IA à compra de GPUs produz uma leitura incompleta", afirma a análise. O funcionamento depende de uma cadeia integrada: memória, armazenamento, rede de alta velocidade, fibra óptica, fornecimento elétrico e refrigeração. Atrasos em qualquer componente impactam diretamente a capacidade de processamento.
Gargalos de energia e infraestrutura
Apesar do volume de investimento projetado, o principal entrave está na energia. A Bain & Company estima que o consumo global de eletricidade dos data centers passe de 388 TWh para 1.288 TWh até 2030. Já a Agência Internacional de Energia projeta que o consumo global alcance 945 TWh em 2030 — quase 3% da demanda mundial. Ainda assim, o problema não é global, mas local: regiões com alta concentração de data centers, como Northern Virginia e Dallas, enfrentam gargalos na rede elétrica.
A Bain alerta que a conexão de novos projetos às redes já é um entrave, com ampliações de transmissão levando de quatro a oito anos. Em 2026, resistências locais e entraves regulatórios atrasaram ou impediram 75 projetos, que somavam US$ 130 bilhões em investimentos. "O acesso a energia confiável e a rapidez na aprovação e conexão tendem a ganhar peso na decisão sobre onde instalar novas infraestruturas", afirma Luis Díez, sócio da Bain.
Brasil entre oportunidades e desafios
No Brasil, o cenário é de muitos anúncios, mas pouca capacidade comprovada. Em novembro de 2025, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) registrou 26,2 GW de projetos de data centers em processo no Ministério de Minas e Energia. No entanto, a maior parte ainda está em fase de estudo ou solicitação de acesso à rede. Para o país, o desafio é transformar vantagens estruturais — como potencial em energia renovável — em condições concretas para atrair investimentos.
O que isso muda para a sua empresa
- Demanda por especialistas em infraestrutura e eficiência energética vai disparar: Empresas que atuam com refrigeração, gestão de energia, transformadores ou switchgear têm espaço para crescer. A pressão por eficiência em ambientes de alto consumo torna esses serviços estratégicos.
- Localização será um diferencial competitivo: Regiões com energia abundante, preços competitivos e processos de licenciamento ágeis atrairão mais investimentos. Empreendedores devem observar onde os governos locais estão facilitando a instalação de data centers.
- Fornecedores de tecnologia terão nova janela de oportunidade: A necessidade de chips, servidores, armazenamento e conectividade de alta velocidade impulsiona a cadeia de suprimentos. Quem oferece soluções modulares ou escaláveis pode se destacar.
- Resistência local exige estratégia de engajamento: Projetos grandes enfrentam oposição por impacto ambiental ou uso de recursos. Empresas precisam investir em comunicação com comunidades e transparência em planos de sustentabilidade.
- Modelos de negócio precisam gerar valor real: A Bain estima que a economia da IA precise gerar US$ 6 trilhões por ano até 2031 para sustentar os investimentos. Startups e empresas que não demonstrarem retorno claro podem perder espaço.
O ritmo da expansão global exige, segundo a Bain, que a economia da IA gere cerca de US$ 6 trilhões por ano até 2031 para sustentar os investimentos. Desse total, US$ 4,2 trilhões precisariam vir de novas aplicações em saúde, pesquisa científica e sistemas autônomos. Sem essa geração de valor, o ciclo de expansão pode desacelerar.
O que muda para quem empreende, trabalha ou cria? A corrida por data centers impulsiona demanda por energia, engenheiros, fornecedores de infraestrutura e soluções sustentáveis. Empresas que atuam em eficiência energética, refrigeração, construção especializada ou conectividade têm espaço para crescer. Ao mesmo tempo, a pressão por aprovações rápidas e energia limpa exige maior articulação entre setor privado, governo e comunidades locais.
O que observar nos próximos meses
Nos próximos meses, fique atento a decisões sobre licenciamento de grandes projetos no Brasil, especialmente em estados com potencial energético, como Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte. A velocidade com que os pedidos de acesso à rede são aprovados será um indicador claro do ritmo real de expansão. Além disso, acompanhe movimentos de gigantes como Google, Amazon e Microsoft: seus anúncios de novos centros podem acelerar investimentos em fornecedores locais e em infraestrutura regional. A corrida por data centers não é só sobre tecnologia — é uma batalha por energia, espaço e permissão social.
https://economia.uol.com.br/colunas/aline-sordili/2026/07/29/data-centers-podem-exigir-us-67-trilhoes-ate-2030.htm https://jornalamanhecer.com.br/data-centers-podem-exigir-us-67-trilhoes-ate-2030/ https://teletime.com.br/05/10/2026/ia-us-65-trilhoes-data-centers/Núcleo de apuração do Pulso. Acompanha o noticiário de negócios e tecnologia e reescreve os fatos com as fontes citadas e linkadas.


