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Data centers nos EUA geram bilionários no Brasil

Empresas brasileiras como a WEG lucram com a expansão de data centers nos EUA, mas o crescimento traz custos ambientais e sociais que podem impactar o futuro do setor.

Foto: C / Unsplash

Os data centers dos Estados Unidos, impulsionados pela explosão da inteligência artificial, estão gerando um boom econômico indireto no Brasil. Empresas brasileiras, como a WEG, estão se beneficiando com a venda de equipamentos críticos para a modernização da infraestrutura elétrica e de energia de reserva necessária para sustentar esses grandes centros de dados. Enquanto os EUA enfrentam protestos por poluição, escassez hídrica e pressão sobre a rede elétrica, o Brasil se posiciona como fornecedor estratégico — mas com desafios crescentes de sustentabilidade e regulamentação.

Em números

62,5%
participação das vendas externas no faturamento da WEG no 3º tri de 2026
31%
crescimento das vendas na América do Norte em relação ao mesmo período de 2025
4,4%
participação dos data centers no consumo de energia nos EUA
267%
aumento nos preços da eletricidade em regiões com alta concentração de data centers
5 milhões
galões de água consumidos por dia por um data center, em média

Brasil como fornecedor de infraestrutura para o mundo digital

A WEG, multinacional catarinense conhecida como "fábrica de bilionários", registrou lucro líquido de R$ 1,67 bilhão no terceiro trimestre de 2026 — um aumento de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do resultado, o mercado reagiu negativamente: as ações caíram 10,96% na semana, a pior queda entre os papéis do Ibovespa. O motivo? Margens de lucro menores, pressionadas por custos crescentes.

Os principais motores do crescimento foram as vendas para a América do Norte, onde a receita atingiu US$ 722,8 milhões — 31% acima do mesmo trimestre de 2025. Esse crescimento está diretamente ligado à expansão de data centers nos EUA, que exigem transformadores, geradores e sistemas de energia de backup, como os da marca Marathon, do grupo WEG. A fatia das vendas externas no faturamento da empresa chegou a 62,5%, o maior nível da história da companhia segundo o Economia Real.

Apesar do volume de vendas, o valor em reais foi menor do que poderia ser. O dólar médio caiu de R$ 5,45 para R$ 5,14 entre um trimestre e outro, reduzindo o impacto cambial no balanço. Em dólares, as vendas externas subiram 14,8%; em reais, apenas 8,3%. A margem bruta da empresa caiu de 33,6% para 32,9%, um sinal de pressão sobre a lucratividade. Segundo a WEG, o principal fator foi o aumento do preço do cobre — matéria-prima essencial para motores e transformadores — além de tarifas de importação e custos maiores com mão de obra, ligados à ampliação de fábricas segundo o Economia Real.

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Problemas nos EUA: poluição, escassez e resistência

Enquanto o Brasil lucra com a demanda, os Estados Unidos enfrentam uma onda de protestos contra a expansão desenfreada de data centers. Em condados como Frederick (Maryland) e Loudoun (Virginia), moradores denunciam ruídos constantes, fumaça de geradores a diesel e escassez hídrica. Um estudo da Universidade de Harvard estima que a poluição gerada por um só data center pode custar até US$ 99 milhões por ano em impactos à saúde pública segundo a NotíciasES.

Os data centers consomem energia equivalente ao consumo de 100 mil residências — e alguns projetos em construção podem consumir até 20 vezes mais. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) já alerta que a demanda por energia pode aumentar de 4,4% para 8,5% do total nacional até 2027, segundo projeção do Goldman Sachs segundo o G1. Além disso, o consumo de água chega a 5 milhões de galões por dia, em regiões com escassez hídrica, como o condado de Frederick, que enfrenta uma severa seca segundo o G1.

Em Loudoun, o condado com a maior concentração de data centers do mundo — mais de 200 unidades — moradores relatam zumbidos constantes, fumaça escura de geradores a diesel e cheiro de combustível no ar. Uma moradora precisou sair de casa após 24 horas de funcionamento contínuo de geradores de emergência segundo a NotíciasES. A pressão sobre a rede elétrica também é crítica: em regiões com alta concentração de data centers, os preços da eletricidade subiram 267% nos últimos cinco anos

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