Barte contrata ex-cofundador da Mercai
Fintech Barte contrata Rodolfo Bizinoto Neto como Diretor de Estratégia para impulsionar expansão com IA e automações.
A frase do presidente Jair Bolsonaro — “Não podemos errar. Se errarmos, os senhores bem sabem quem poderá voltar” — ecoou em cerimônias oficiais e na imprensa em janeiro de 2019, durante a posse de presidentes de bancos públicos no Palácio do Planalto. O discurso, repleto de tom de urgência e apelo à responsabilidade, colocou em destaque a centralidade da área econômica na gestão bolsonarista, com Paulo Guedes, então ministro da Economia, como figura-chave do projeto de reestruturação do país segundo o A TARDE e ISTOÉ Independente.
Na ocasião, Bolsonaro reforçou que o sucesso econômico seria o alicerce para melhorias em segurança pública, geração de empregos e até mesmo na confiança da população. A frase, com tom de advertência, foi interpretada como um alerta ao mercado e à sociedade: o governo não pode falhar, pois o risco de retorno de governos anteriores era real. A mensagem foi reforçada com elogios diretos a Guedes, a quem chamou de “amigo” e “pessoa que acredita em mim”, destacando a parceria que se construiu em um encontro há cerca de dois anos segundo o ISTOÉ.
Esse discurso, no entanto, contrastava com o ambiente de instabilidade que se instalou na equipe econômica nos dias anteriores. Na semana anterior, Bolsonaro havia divulgado informações incorretas sobre mudanças na tabela do Imposto de Renda e sobre o aumento do IOF, o que gerou desmentidos oficiais e críticas da própria equipe econômica. Guedes, diante do caos midiático, chegou a cancelar compromissos públicos e evitar contato com a imprensa segundo o A TARDE.
Uma gestão econômica sob pressão
O episódio revela um desafio central para quem empreende: a importância de alinhar visão política com execução técnica. Enquanto o presidente reforçava a confiança em Guedes, a equipe econômica precisava lidar com a desinformação gerada por declarações presidenciais. Isso gerou um clima de incerteza no mercado, especialmente para empresas que dependem de previsibilidade fiscal e regulatória.
Para empreendedores, esse contexto mostra que a estabilidade de um governo não depende apenas de políticas econômicas bem formuladas, mas de comunicação clara e consistente. Quando o líder máximo do país faz afirmações que não são validadas pela equipe técnica, o risco de desconfiança cresce — e isso afeta decisões de investimento, contratação e planejamento de longo prazo.
O que isso muda para a sua empresa
- Prepare-se para a volatilidade regulatória: A experiência de 2019 mostra que mesmo governos com equipes técnicas fortes podem ser afetados por declarações presidenciais imprecisas. Empresas devem manter planos de contingência para mudanças abruptas em impostos, tributos ou políticas públicas.
- Valorize a transparência interna: Quando há desalinhamento entre a liderança política e a equipe técnica, o impacto é sentido no dia a dia. Empresas devem garantir que todos os níveis da organização tenham acesso a informações claras e atualizadas, evitando rumores e decisões baseadas em especulações.
- Invista em gestão estratégica desde cedo: A contratação de executivos com experiência em crescimento acelerado, como Rodolfo Bizinoto Neto na Barte, mostra que mesmo startups em expansão precisam de estruturação. Ter um Diretor de Estratégia não é sinal de maturidade tardia, mas de preparação para o crescimento sustentável.
- Monitore a comunicação pública do governo: Para quem empreende em setores sensíveis à política — como fintechs, energia, infraestrutura — é essencial acompanhar não apenas as leis, mas as declarações de líderes. Uma frase mal interpretada pode gerar impacto real no mercado.
- Construa alianças com especialistas: Como Guedes foi chamado de “amigo” por Bolsonaro, a proximidade pessoal pode influenciar decisões. Empresas que querem impactar políticas públicas devem investir em relacionamentos com especialistas e instituições de peso, como a FGV, que produz análises de mercado com rigor técnico segundo o AgroANALYSIS.
Observações para os próximos meses
Os próximos meses serão cruciais para avaliar se o discurso de “não podemos errar” se traduzirá em ações concretas. Empresas devem observar:
- Se as reformas econômicas (como a Previdência) serão implementadas com clareza e sem contradições.
- Se a equipe econômica terá autonomia para atuar sem interferência direta de declarações presidenciais.
- Se o mercado financeiro e as instituições de crédito (como BNDES, Caixa e Banco do Brasil) terão uma atuação alinhada com o planejamento de longo prazo.
Para quem empreende, o que mais importa não é o tom do discurso, mas a consistência entre o que é dito e o que é feito. A história de 2019 serve como lembrete: a confiança do mercado é construída com ações, não com promessas.
Fontes
Núcleo de apuração do Pulso. Acompanha o noticiário de negócios e tecnologia e reescreve os fatos com as fontes citadas e linkadas.